AlvarengaPassadiços do Paiva


Freguesia do concelho de Arouca, no distrito de Aveiro que dista em cerca de 15 quilómetros da sede concelhia, estando situada nas fraldas da serra de Montemuro e na margem direita do rio Paiva. O seu orago é Santa Cruz.

O povoamento do território que corresponde à actual freguesia de Alvarenga é bastante remoto, por certo anterior ao século XII, visto que nas cumeadas vizinhas foram encontrados vestígios de fortificações castrejas e de edificações dolménicas.

Um dos mais importantes vestígios da época do povoamento romano é sem dúvida a ponte romana sobre o rio Paiva, cuja edificação se atribui ao mesmo mestre que fez a de Alcântara, em Espanha. No entanto, é na toponímia que a antiguidade desta freguesia se demonstra, em topónimos como: Bustelo, derivado de "busto", alusivo a pastagens; Cabanas Longas, topónimo indicativo de um povoamento remoto; Cobrança, designação alusiva à antiga fauna local, mais precisamente à cabra selvagem; Donim, derivado no nome pessoal "Dommus"; e Fonte Tinta, alusivo a uma fonte que brotava colorida por materiais dissolvidos. Relativamente ao topónimo principal da freguesia, "Alvarenga", parece tratar-se de um derivado do termo latino alvarinica, referindo-se a uma terra povoada de alvares (carvalhos).
A referência escrita mais antiga relativa a Alvarenga remonta a 925, no entanto, aquela que melhor documenta o seu território data de 1084, onde consta que a actual freguesia de Canelas pertencia à paróquia de Santa Cruz de Alvarenga. É de crer que nessa época, Alvarenga fosse cabeça de um pequeno concelho, com juiz e vigários.

Na segunda metade do século XI era aqui senhor D. Gavino Froilaz que, em 1094, deixou em testamento aos mosteiros de Alpendurada e de Arouca vários bens que possuía em Alvarenga. Egas Moniz, aio de D. Afonso Henriques, também possuiu bens em Alvarenga, nomeadamente uma honra que depois foi herdada por seu filho, Moço Viegas; em 1139, este doa a Ermígio Viegas a parte reguenga que D. Afonso Henriques lhe dera em Alvarenga. O sucessor de D. Moço Viegas na cabeça da honra foi o seu filho D. Egas Afonso, rico-homem de D. Afonso Henriques e de D. Sancho I. Os filhos desse senhor, D. Lourenço Viegas e D. Álvaro Viegas, ficaram conhecidos como os "de Alvarenga", sendo o sucessor na cabeça da "quintã" e honra D. Paio Viegas; na primeira metade do século XVI era senhor de Alvarenga, Rui Mendes de Vasconcelos. Até ao séc. XVII, o concelho de Alvarenga, além da actual freguesia, compreendia ainda os lugares de Canelas de Baixo e Canelas de Cima que passaram a constituir a actual freguesia de S. Miguel de Canelas, e o lugar de Janarde, que é a actual freguesia de S. Barnabé de Janarde. A 2 de Maio de 1514, D. Manuel concede Foral Novo a Alvarenga, confirmando o que havia sido dado anteriormente por D. Dinis, em 1298. O concelho de Alvarenga foi extinto em 24 de Outubro de 1855, passando Alvarenga a integrar o concelho de Arouca.

Eclesiasticamente, a existência da igreja de Santa Cruz encontra-se documentada já nos primeiros decénios do século X. Na origem, era uma igreja "própria" que apresentava vários possuidores, entre os quais, o já mencionado D. Gavino Froilaz. De acordo com o Censual do Cabido lamacense, de 1530, a igreja de Alvarenga era da apresentação do Mosteiro de Cárquere. Quando a Companhia de Jesus entrou em Portugal, no século XVI, D. João III doou-lhe esta igreja, posse que os jesuítas vieram a perder com o confisco pombalino, dois séculos depois.

Do acervo patrimonial da freguesia de Alvarenga, são de particular interesse: a igreja paroquial, o Solar do Paço, a Carreira dos Moinhos, a Casa do Povo, as capelas de Santo António, da Senhora do Monte, do Senhor dos Aflitos e de S. Lourenço e a "Quinta do Santo", com equipamento hoteleiro, identificado como Turismo Rural. Testemunhos da antiga soberania administrativa de Alvarenga são o antigo edifício da Câmara Municipal, no largo de Trancoso, e o Pelourinho que tem uma inscrição com a data de 1590 e se encontra classificado como Imóvel de Interesse Público. É também património cultural de inestimável valor, a panóplia de lendas que povoam as memórias do povo de Alvarenga, como é o caso da Lenda do Rego do Boi. Segundo a tradição, havendo na freguesia necessidade de água para regar os campos, os habitantes de Alvarenga e da freguesia vizinha de Nespereira disputavam a posse de um ribeiro, denominado Ardena. Chegaram então ao acordo de que quem primeiro conseguisse com que as águas fizessem mover a mó de um moinho, junto à povoação, adquiria o direito sobre elas. Os habitantes de Alvarenga traçaram então, secretamente, o caminho que deveria tomar o rego condutor da água e conseguiram concluir o seu trabalho antes dos de Nespereira, conquistando o direito ao usufruto das águas. Para festejar esse feito mataram e comeram um boi, daí resultando no nome "Rego do Boi". Mais tarde, chegaram a funcionar cerca de vinte e três moinhos, dos quais ainda restam bastantes e que formam, no seu conjunto, a chamada "Carreira de Moinhos".

A principal actividade económica dos Alvarenguenses é a agricultura de subsistência e a criação de gado; a indústria é uma actividade muito pouco desenvolvida resumindo-se apenas a pequenas empresas de construção civil e marcenaria. Uma actividade que outrora foi bastante importante para a economia local foi a exploração do volfrâmio, actividade que atingiu o seu auge em 1941. No ano seguinte, um acontecimento marca toda a exploração de minério em Alvarenga: o tiroteio entre a polícia e os populares e que resultou na morte de um rapaz de 15 anos. Depois da decadência da exploração em 1950/56 verificou-se um fluxo de emigração de muitos naturais ou residentes desta terra, principalmente para o Brasil, por não haver meios de subsistência na freguesia, as pessoas que aí ficaram ocuparam-se da agricultura que se tomou a principal actividade económica da povoação.

Texto Junta de Freguesia de Alvarenga

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